Ciclone

Ventos deixam mais de 41 mil pelotenses sem luz

As rajadas que chegaram a 80 quilômetros por hora também provocaram queda de árvores, postes e desabastecimento de água

Carlos Queiroz -

Até o início da tarde desta segunda-feira (19), em Pelotas, 14 mil clientes da CEEE Distribuidora, principalmente da zona rural, ainda estavam sem energia elétrica devido aos ventos fortes causados por um ciclone extratropical que atingiu o Estado nos últimos dias. No município, a ventania chegou a 77 quilômetros por hora às 19h52min de domingo. A rajada mais forte registrada foi de 80 quilômetros por hora às 1h de segunda, conforme o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (CPMet-UFPel). Na região, houve estragos também em Rio Grande e Morro Redondo, com a queda de árvores e postes. De acordo com a Defesa Civil, não foram registrados danos a propriedades particulares.

No apartamento da Nilva de Oliveira, 81 anos, na avenida Juscelino Kubitscheck de Oliveira, a energia faltou por volta das 11h de domingo, retornando somente às 18h. Em seguida, começou a alternar por diversas vezes até ficar em meia fase - situação que se manteve até segunda, às 16h, quando voltou a ficar sem luz. A sobrinha que cuida de Nilva, Sonia Oliveira, 55 anos, conta que precisou desligar tudo para evitar que os equipamentos queimassem. Porém, a maior preocupação é com a insulina aplicada em sua tia, já que sem refrigeração o medicamento dura em torno de 48h apenas. "Ela depende da insulina, utiliza pela manhã e à noite. Por enquanto, ainda está armazenada em uma caixinha de isopor, mas a temperatura não vai ficar a mesma sempre", comenta Sonia.

Segundo a CEEE, o maior registro da falta de energia elétrica no município foi no domingo às 20h quando 41,5 mil pelotenses ficaram sem fornecimento, tanto na zona urbana, quanto na rural. No final da manhã de segunda, 91 mil clientes estavam sem energia em toda área de concessão da empresa, que abrange também outras regiões. Os locais com o maior número de ocorrências são zona rural de Pelotas (Sul); Maquiné (Litoral Norte); e Santa Vitória do Palmar (Litoral Sul). A diminuição nos números foi ocorrendo gradativamente ao longo do dia, mas a continuidade dos ventos dificultou o serviço das equipes. Até as 18h desta segunda, seis mil clientes ainda enfrentavam a falta de luz na cidade.

A concessionária orienta que, em casos de falta de energia, os clientes enviem um torpedo para 27307, com a palavra "luz" e o número da unidade consumidora, localizado no canto superior direito da fatura. Além disso, a recomendação é para que ninguém se aproxime de cabos caídos ou de galhos e árvores próximos, pois podem estar energizados. Nesses casos, é possivel entrar em contato pelo telefone 0800-721-2333.

Consequências da ventania

De acordo com o coordenador regional de Proteção e Defesa Civil (CREPDEC IV), tenente-coronel Leonardo Nunes, além da falta de luz, principalmente em Pelotas, foram registradas quedas de árvores em alguns pontos da cidade. No Morro Redondo, houve o registro da queda de dois postes, o que contribuiu para a falta de energia elétrica. Já em Rio Grande, o Porto foi fechado, ocasionando a interrupção das operações devido à velocidade dos ventos. No entanto, não houve notificação de danos materiais a propriedades privadas.

O Corpo de Bombeiros de Pelotas recebeu dois chamados. Um foi na Balsa, onde havia o risco de destelhamento de uma casa. Ao chegar no local, a equipe constatou que uma telha havia se soltado parcialmente. Foi feita, então, a fixação do material. Já o outro atendimento foi no bairro Fragata, onde uma árvore caiu sobre o telhado de uma residência, mas sem feridos. O agentes da guarnição cortaram e removeram a árvore.

Entre domingo e segunda, a Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) realizou a remoção de duas árvores que acabaram tombando com a força dos ventos. Uma foi no Terminal Rodoviário e outra no Laranjal, além de um galho caído nas Carmelitas. Já a Secretaria de Transporte e Transito (STT) realizou a manutenção de placas de sinalização e semáforos.

A ventania também acabou prejudicando o abastecimento de água, ocasionando a interrupção ou redução da pressão. No domingo, a falta de energia comprometeu a distribuição no Areal e no Balneário dos Prazeres, no Laranjal. Já nas regiões do Fragata, Centro e Três Vendas, abastecidas pela barragem Santa Barbara, houve a redução e até mesmo a falta de água depois que o equipamento responsável por fazer a captação foi derrubado e submergiu. Equipes da autarquia trabalharam no local até o final da tarde, quando finalizaram a recuperação do material. O abastecimento será normalizando aos poucos.

Por que tanto vento?

Segundo a metereologista Gilsaine Pinheiro do CPMet, o motivo de todo esse vento é um ciclone extratopical que encontra-se no oceano Atlântico, próximo à costa do Rio Grande do Sul, atingindo em especial a Região Sudeste. O fenômeno também causou nebulosidade, que foi diminuindo ao longo da segunda-feira. A previsão é que a partir de terça-feira, o ciclone se afaste da costa gaúcha, diminuindo a intensidade dos ventos e possibilitando o ressurgimento do sol. Gislaine destaca ainda que até quinta-feira a previsão é de tempo bom, sem chuva, e com a temperatura podendo aumentar gradativamente.

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